GESTÃO DE PROJETOS


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Gestão de Projetos e a Copa de 2014

Angela Pimenta, da EXAME
A organização da Copa, assolada por má gestão e politicagem, está dois anos atrasada. A pressa trará soluções improvisadas para o transporte nas cidades.

Desde que o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014, os brasileiros passaram a sonhar não apenas com mais uma taça de campeão mas também com um salto de qualidade na infraestrutura de suas maiores cidades. Além de estádios modernos, finalmente ganharíamos sistemas de transporte de Primeiro Mundo com aeroportos de alto nível e trens expressos ou metrô. Quatro anos depois, está ficando claro que tudo, infelizmente, não passou mesmo de um sonho.
A esta altura, sendo realista, só a expectativa do hexa da seleção ainda está de pé. Neste mês de fevereiro de 2011, faltam três anos e três meses para o início da Copa do Mundo de 2014. Já para a Copa das Confederações, criada pela Fifa para testar as arenas e a infraestrutura do país-sede um ano antes do torneio, faltam dois anos e três meses. O calendário mostra que estamos muito, mas muito atrasados nos preparativos fora do gramado.
Mais exatamente, foram desperdiçados dois anos do tempo que havia para planejar, construir ou reformar estádios, ampliar a capacidade aeroportuária e implantar novos serviços de transporte urbano. A construção ou a reforma de um estádio demanda dois anos para a fase de projeto e mais dois para a construção. O mesmo prazo se aplica a novos terminais de aeroporto — uma grave carência nas principais portas de entrada do país, como Guarulhos, Galeão, Brasília e Confins. Portanto, esqueça qualquer esperança quanto ao legado da Copa. No que se refere à infraestrutura, trata-se, agora, de evitar um vexame de proporções históricas com puxadinhos aqui e ali — e só isso.
Falta de Planejamento
Tal veredicto parte de especialistas com experiência em grandes eventos. “Há atraso por falta de planejamento e excesso de burocracia”, diz Amir Somoggi, diretor da consultoria de gestão Crowe Horwath RCS. “Além disso, em 2010, com a incerteza política de um ano eleitoral, muitas decisões foram postergadas.” No caso dos estádios, os exemplos mais preocupantes estão em São Paulo e Natal. Em Natal, que corre o risco de ser retirada do grupo de sedes pela Fifa, o projeto de Dunas, para 45 000 especta­dores a um custo de 420 milhões de reais, ainda não atraiu investidores. Uma nova licitação está prevista para março.

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